Coronavirus – Medidas preventivas no ambiente

Coronavirus 

Medidas preventivas no ambiente

A rápida expansão desse surto é indicativa de uma eficiente transmissão homem-a-homem.[1,2]

O HCoV-19 foi detectado em amostras do trato respiratório superior e inferior de pacientes, com altas cargas virais nas amostras do trato respiratório superior [3,4]. Portanto, parece provável a transmissão do vírus por secreções respiratórias na forma de gotículas (> 5 mícrons) ou aerossóis (<5 mícrones).

A estabilidade do vírus no ar e nas superfícies pode afetar diretamente a transmissão do vírus, pois as partículas do vírus precisam permanecer viáveis ​​por tempo suficiente após serem expulsas do hospedeiro para serem absorvidas por um novo hospedeiro.

Em um estudo realizado com auxilio do Laboratory of Virology, Division of Intramural Research, National Institute of Allergy and Infectious Diseases, National Institutes of Health, Hamilton, MT, USA, et.al. [5] foi analisada a estabilidade do aerossol (dispersão no ar) e partículas (depositadas sobre alguns tipos de superfície), comparando estes aspectos entre o HCoV-19 e o SARS-CoV-1.

Esta comparação foi realizada pelo fato do Covid-19 ser um vírus novo e o SARS já possuir mais estudos.

Assim podemos entender se possuem comportamentos semelhantes e nos nortear nas condutas para o novo coronavirus. O estudo no geral constatou que, a estabilidade é muito semelhante entre o HCoV-19 e o SARS-CoV-1 e foram estimamos as taxas de decaimento em cada condição usando um modelo de regressão bayesiana, gerando o resultado abaixo.

O HCoV-19 (Meia vida):

  • No ar – 2,7 horas (meia vida)
  • No papelão – 24 horas (meia vida)
  • No Aço: 13 horas (meia vida)
  • No Polipropileno: 16 horas (meia vida)

O HCoV-19 (após longos períodos em pequenas quantidades):

  • No ar – 7,24 horas (pequena quantidade)
  • No papelão – 24 horas
  • No Aço – até 48 horas (pequena quantidade)
  • No Polipropileno/plástico – até 72 horas (pequena quantidade)

Outros Estudos importantes:

Alguns outros estudos tem descrito que o coronavirus em diferentes tipos de materiais, pode permanecer infeccioso por 2 horas a 9 dias.[14]

Como as taxas para o SARS foram muito semelhantes as do Covid-19 e a grande questão é, se são tão semelhantes, porque o Covid-19 possui uma taxa de transmissão muito superior ao SARS?

Por que o Covid-19 está se mostrando mais difícil de conter?

Alguns outros estudos sugerem que, existem vários fatores em potencial que podem explicar as diferenças epidemiológicas entre os dois vírus (HCoV-19 e SARS-CoV-1) e o porquê do Covid-19 ter tanta capacidade de transmissibilidade.

  • No estudo Neeltje V, et.al.[5] a capacidade do vírus em permanecer suspenso no ar e nas superfícies por grandes períodos e com uma grande diferença dos resultados para superfícies de papelão, onde a meia-vida do HCoV-19 (24 horas) em comparação ao SARS (8 horas). Isso pode sugerir um diferencial para o alto contágio secundário doméstico.
  • No estudo de Bai Y, et al.[6] ; do Rothe C, et al.[7]; do Tong ZD, et al.[8], há indícios que indivíduos infectados com HCoV-19 podem estar transmitindo o vírus na fase pré-sintomático ou seja, quando ainda está assintomático. Isso poderia reduzir a eficácia da quarentena e do rastreamento de pessoas com sintomas como medidas de controle se compararmos com a SARS.[9]
  • No estudo de Van Doremalen N, et al. [10]; Lunn TJ, et al.[11], eles analisaram a dose infecciosa necessária para estabelecer uma infecção, a estabilidade do vírus no muco e fatores ambientais como temperatura e umidade relativa, estes fatores sugerem desempenhar um maior potencial transmissor em comparado com a SARS.
  • No estudo de .Wu Z, et al.[12], a transmissão de HCoV-19 está ocorrendo em ambientes hospitalares, com mais de 3000 casos relatados de pessoas  que adquiriram em hospitais. Esses casos destacam a vulnerabilidade dos estabelecimentos de saúde para introdução e disseminação do HCoV-19.
  • Ainda segundo o estudo de Wu Z, et al.[12], quando falamos de transmissão secundária ao contrário do SARS-CoV-1, a maioria das transmissões foram relatadas fora dos estabelecimentos de saúde e a transmissão generalizada na comunidade está sendo constatada em vários ambientes, como residências, locais de trabalho e reuniões de grupos. O que nos leva a crer que: as partículas suspensas no ar e superfícies, a transmissibilidade assintomática, dose infecciosa, estabilidade do vírus, característica do ambiente, potencial transmissor dos locais de saúde, podem ser fator decisivo para esta diferença de transmissão secundária em ambiente doméstico comparando o SARS com o COVID-19.

Como pudemos observar a transmissibilidade é um fator de extrema relevância no Covid-19.

Medidas de desinfecção:

Algumas medidas para uma melhor desinfecção do ambiente e superfícies são mais eficientes contra o Covid-19, de acordo com a publicação de G. Kampf, D. Todt, et al., da Alemanha, em 31 de janeiro de 2020.[13] eles fizeram a análise de 22 estudos sobre o assunto e chegaram a uma conclusão.

Em temperaturas mais elevadas (40 graus) para os vírus testados (MERS-CoV, TGEV e MHV) possui uma meia vida menor em relação a temperaturas mais baixas (4 graus). Poucos dados comparativos foram obtidos com o Covid-19 que indicasse a persistência ou não em diferentes temperaturas.

Não foram encontrados dados sobre a transmissibilidade dos coronavírus das superfícies contaminadas para as mãos, no entanto, pode ser demonstrado com o vírus influenza A que um contato de 5 s pode transferir 31,6% da carga viral para as mãos.[15]

Em um estudo observacional, foi descrito que os alunos tocam o rosto com as próprias mãos em média 23 vezes por hora, com contato principalmente com a pele (56%), seguido por boca (36%), nariz (31%) e olhos (31%).[16]

Agentes de assepsia mais eficientes:

(Efeito imediato, mas o uso é restrito)

  • Alcool 95%,
  • 2-propanol 100%
  • Glutardialdeído 2,5%
  • Formaldeído 1%
  • Iodopovidona 7,5%

Agentes de assepsia mais eficientes:

(Aplicado por pelo menos 1 minuto, disponível a população)

  • Álcool 70%
  • Peróxido de hidrogênio/Água oxigenada a 0,5% (agente co-carcinogênico uso interno somente com indicação profissional)
  • Hipoclorito de sódio a 0,1 e 0,5% como o líquido de Dakin (água sanitária possui concentração 2,5%, por isso parece apropriado recomendar uma diluição 1:50 do alvejante padrão)

Agentes menos eficiente:

  • Cloreto de benzalcônio a 0,05 e 0,2% (encontrado no Lisoform)
  • Digluconato de clorexidina a 0,02%

Discussão:

Diante deste contexto temos que levar em conta alguns sinais no qual os estudos estão nos apontando para nortear nossas condutas, certamente muitos estudos ainda são necessários, mas com base das informações destes estudos apresentados acredito que podemos tomar algumas medidas e recomendações plausíveis como:

  • Espaçar os atendimentos entre paciente,
  • Utilizar EPI individualizado para cada atendimento e preferencialmente máscara tipo N95,
  • Profissional indicará a necessidade de bochechos específicos,
  • Higienizar o ambiente com agente apropriado para cada tipo de superfície,
  • Limpar com maior frequência o ar-condicionado,
  • Trabalhar com janelas abertas e com circulação de ar,
  • Os produtos que levamos para casa ou trabalho, suas embalagens devem ser corretamente descartadas ou higienizadas,
  • Evitem ambientes fechados sem circulação de ar, se necessitar ficar neste tipo de ambiente utilize máscaras e após chegar em casa troque a roupa e se higienize,
  • Ao entrar em casa cuidado com sapato, troque de roupa e se higienize,
  • Evite ambientes hospitalares se não for de real necessidade,
  • Evitar uso do elevador com outras pessoas.
  • Evitar transporte de massa.

Ou seja, ambientes e superfícies com maior índice de contato com o vírus circulante, podem ser um potencial transmissor, não somente um aperto de mão, espirro ou tosse diretamente em sua direção.

IMPORTANTE: Somente médicos e cirurgiões-dentistas devidamente habilitados podem diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. As informações disponíveis possuem apenas caráter educativo e informativo.

Dra. Renata Bonetti – Cirurgiã Dentista – Implantodontista – Morumbi e Região

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Referências Bibliográficas:

1.Chan JF, Yuan S, Kok KH, et al. A familial cluster of pneumonia associated with the 2019 novel coronavirus indicating person-to-person transmission: a study of a family cluster. Lancet 2020;395:514-23.

2.Li Q, Guan X, Wu P, et al. Early Transmission Dynamics in Wuhan, China, of Novel Coronavirus-Infected Pneumonia. N Engl J Med 2020.

3.Zou L, Ruan F, Huang M, et al. SARS-CoV-2 Viral Load in Upper Respiratory Specimens of Infected Patients. N Engl J Med 2020.

4.Kim JY, Ko JH, Kim Y, et al. Viral Load Kinetics of SARS-CoV-2 Infection in First Two Patients in Korea. J Korean Med Sci 2020;35:e86.

5.Neeltje van D, Trenton B, et al. Aerosol and surface stability of HCoV-19 (SARS-CoV-2) compared to SARS-CoV-1, Laboratory of Virology, Division of Intramural Research, National Institute of Allergy and Infectious Diseases, National Institutes of Health, Hamilton, MT, USA, et.al.

6.Bai Y, Yao L, Wei T, et al. Presumed Asymptomatic Carrier Transmission of COVID-19. JAMA 2020.

7.Rothe C, Schunk M, Sothmann P, et al. Transmission of 2019-nCoV Infection from an Asymptomatic Contact in Germany. N Engl J Med 2020.

8.Tong ZD, Tang A, Li KF, et al. Potential Presymptomatic Transmission of SARS-CoV-2, Zhejiang Province, China, 2020. Emerg Infect Dis 2020;26.

9.Munster VJ, Koopmans M, van Doremalen N, van Riel D, de Wit E. A Novel Coronavirus Emerging in China – Key Questions for Impact Assessment. N Engl J Med 2020;382:692-4.

10.van Doremalen N, Bushmaker T, Munster VJ. Stability of Middle East respiratory syndrome coronavirus (MERS-CoV) under different environmental conditions. Euro Surveill 2013;18.

11.Lunn TJ, Restif O, Peel AJ, et al. Dose-response and transmission: the nexus between reservoir hosts, environment and recipient hosts. Philos Trans R Soc Lond B Biol Sci 2019;374:2019001

12.Wu Z, McGoogan JM. Characteristics of and Important Lessons From the Coronavirus Disease 2019 (COVID-19) Outbreak in China: Summary of a Report of 72314 Cases From the Chinese Center for Disease Control and Prevention. JAMA 2020.

13.G. Kampf et al. / Journal of Hospital Infection 104 (2020) 246e251.

14.Ijaz MK, Brunner AH, Sattar SA, Nair RC, Johnson-Lussenburg CM. Survival characteristics of airborne human coronavirus 229E. J Gen Virol 1985;66(Pt 12):2743e8.

  1. Bean B, Moore BM, Sterner B, Peterson LR, Gerding DN, Balfour HH. Survival of influenza viruses an environmental surfaces. J Infect Dis 1982;146:47e51.
  2. Kwok YL, Gralton J, McLaws ML. Face touching: a frequent habit that has implications for hand hygiene. Am J Infect Contr 2015;43:112e4.

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